Jung foi provavelmente um dos humanistas que mais se interessou pelo tema espiritualidade. Sua obra é sem dúvida uma obra psicológica e cientifica, porém com toda sensibilidade ao campo do sagrado e aos aspectos mais lúdicos da experiência humana. Jung nos mostrou que a espiritualidade não é monopólio das religiões e sim faz parte da dimensão do humano. Nós temos a dimensão do corpo onde habitamos e estamos presentes, temos a dimensão da mente cheia de desejos, arquétipos, sonhos e nós temos a dimensão da espiritualidade, do mistério onde nos fazemos as seguintes perguntas: Da onde eu venho? Para onde eu vou? Qual o propósito de ser humano? Dimensão que precisamos resgatar com muita emergência, pois se tem uma coisa que o mundo precisa é buscar a sua espiritualidade, resgatar e desenvolver valores não materiais, um sentimento de pertencimento a algo maior, precisamos tirar o véu dessa ilusão de separatividade do outro, da terra e do universo. Jung foi um místico que expandiu a sua consciência ao ponto de desenvolver uma arte para decifrar as simbologias humanas, arquétipos, mitos, sonhos que são os componentes desse mistério.

A Psicoterapia Junguiana redireciona o ser humano naquela meta onde podemos encontrar o bem viver no mundo e dar um sentido para a vida acolhendo a realidade como ela é, contraditória e com as suas dimensões de raiva, violência e provações como parte da experiência humana e integrar com a dimensão da ordem, bondade, verdade. Precisamos assumir e honrar essa realidade equilibrando essas duas dimensões unindo os polos opostos e o resultado será o encontro com a liberdade e felicidade. A obra de Jung mostra que a felicidade é o resultado de um longo processo de autorrealização e de individuação humana. A felicidade vai sendo construída de acordo com as respostas que a gente vai dando aos desafios que a vida apresenta, quem consegue a individuação é capaz de enfrentar todas as crises, fracassos e perdas tão comuns a experiência humana mantendo a lucidez e clareza e assim se tornar um ser humano livre, e que essa construção pessoal e coletiva é a nossa grande tarefa de vida.

Vi muitas vezes que os homens ficam neuróticos quanto se contentam com respostas insuficientes ou falsas as questões da vida. Procuram situação, casamento, reputação, sucesso exterior e dinheiro. Mas permanecem neuróticos e infelizes mesmo quando atingem o que buscavam. Essas pessoas sofrem, frequentemente de uma grande limitação do espirito. Sua vida não tem conteúdo suficiente, não tem sentido. Quando podem expandir-se numa personalidade mais vasta a neurose em geral cessa. Carl Gustav Jung

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